A coluna Personagem do Mês apresenta quatro textos (um por semana) sobre uma personagem escolhida pela equipe do Séries Por Elas. Esses textos seguem a seguinte lógica:
1ª matéria: conta a trajetória da personagem e explica por que ela mereceu ser a personagem do mês
2ª matéria: mostra o que podemos aprender com a personagem e o que é melhor deixar pra lá
3ª matéria: buscamos inserir a personagem no contexto do blog, fazer link com empoderamento e feminismo
4ª matéria: vamos falar pouco da atriz. Curiosidades, declarações importantes e fofoquinhas saudáveis

É impossível pensar em Peggy sem pensar em empoderamento e superação. Ela é uma das personagens que mais evoluiu ao longo de Mad Men e conquistou espaços antes inimagináveis para as mulheres da década. Ela foi a materialização de muitas das mudanças que estavam ocorrendo na época.

Os anos 1960 foram um momento de muita reivindicação por parte da população americana, de contracultura e de questionamento do status quo. O movimento feminista, que estava em sua segunda onda, ainda sem os devidos recortes de classe e raça em sua pauta, questionava principalmente essa ordem “natural” das mulheres de casar, ter filhos e cuidar do lar e da família. Além disso, foi um momento da libertação sexual das mulheres com a pílula anticoncepcional, que apesar das críticas que possam ser dirigidas, mostrou que o sexo não era apenas meio de reprodução e abriu um importante debate.

É nesse contexto, favorável a mudanças (mas nem tanto), que vemos a evolução e trajetória de Peggy Olson. Ela iniciou como secretária na Sterling Cooper, ambiente completamente dominado por homens egocêntricos e em que as colegas de profissão eram vistas como uma espécie de babá. Quando revelou seu talento para a área de criação foi preciso que um dos redatores reforçasse sua capacidade para que os outros dessem a ela uma mínima credibilidade para que pudesse fazer seu trabalho. Mesmo assim começou recebendo bem menos pela nova função que passou a exercer e não recebeu crédito pelo seu trabalho em muitos momentos. Isso reflete muito as contradições ainda existentes no mercado, pois só lhe foi dada uma oportunidade, desde que ela permanecesse inferior aos outros publicitários.

Mesmo assim ela não se rendeu a síndrome do impostor e aprendeu a se impôr e lidar de igual para igual com os homens da Sterling Cooper. Enfrentando inclusive Don Draper, considerado a jóia preciosa da agência que muitos tinham medo de contrariar. Todos esses acontecimentos afetaram sua postura, que se tornou cada vez mais dura e fechada, conferindo-lhe um pouco a fama de bitch entre seus subordinados. Obviamente se fosse um homem com comportamento igual, os adjetivos seriam outros. Além disso, ela teve outras posturas atípicas para as mulheres da época, quando abriu mão da maternidade e não correu atrás de um marido conforme a tradição pedia. Se ainda hoje isso é cobrado das mulheres, a pressão para cumprir esses “requisitos básicos” naquela época era bem mais forte.

Apesar da fragilidade aparente dos primeiros episódios, Peggy mostrou-se uma personagem completamente rica para a trama e resiliente em relação aos acontecimentos que tangenciaram sua ascensão na carreira. Ela fugiu totalmente a regra das mulheres da década e abriu um caminho, mesmo que bastante desafiador e incerto, para as outras que quisessem seguir seus passos. Peggy personificou algumas das difíceis conquistas emancipatórias femininas dos anos 1960.

Peggy Olson empoderamento.