A coluna Personagem do Mês apresenta quatro textos (um por semana) sobre uma personagem escolhida pela equipe do Séries Por Elas. Esses textos seguem a seguinte lógica:
1ª matéria: conta a trajetória da personagem e explica por que ela mereceu ser a personagem do mês
2ª matéria: mostra o que podemos aprender com a personagem e o que é melhor deixar pra lá
3ª matéria: buscamos inserir a personagem no contexto do blog, fazer link com empoderamento e feminismo
4ª matéria: vamos falar pouco da atriz. Curiosidades, declarações importantes e fofoquinhas saudáveis

Peggy é uma das figuras mais emblemáticas da série Mad Men e, além de uma potente voz da emancipação feminina nesse vasto mundo das séries, foi uma funcionária exemplar no difícil e competitivo ambiente corporativo. Por isso, ela teve muito a ensinar através de suas ações ao longo das sete temporadas. Assim, seguem algumas lições que podemos aprender com essa grande personagem.

Bancando decisões

Peggy chega na agência Sterling Cooper transparecendo a imagem de uma mulher insegura e submissa, que só está lá para atender aos desejos dos homens que nem seus superiores são. Por isso é tão interessante acompanhar essa personagem e ver seu crescimento. Ao longo da série ela vai se empoderando cada vez mais até conseguir impor sua autoridade e suas opiniões aos homens daquela agência. Um dos episódios mais marcantes é quando, após ser sondada por outra agência, ela decide deixar a Sterling Cooper. Mesmo com Don tentando se apossar de todo o crédito de seu crescimento, afirmando ser o responsável por tudo de bom que aconteceu a ela, e posteriormente fazendo ofertas altas e implorando para que ela fique, Peggy se recusa. Apesar de todo o carinho e respeito que tem por Don, ela se mantém fiel a sua decisão.

Embuste? Tô fora!

Peggy vivenciou intensamente o conceito de liberdade sexual ao longo da série, e foi muito feliz na maior parte deles. Porém alguns desses relacionamentos, quase sempre com colegas de trabalho, lhe trouxeram bastante dor de cabeça (pode entrar, Pete Campbell!) e o famigerado climão. A melhor saída foi o término mesmo.

Autenticidade

Nossa personagem do mês muito provavelmente não teria saído do lugar e vivido essa intensa trajetória se não tivesse o ímpeto de dizer o que pensava. No episódio que marca sua grande virada, Peggy durante uma entrevista de grupo focal com as secretárias da agência, um dos publicitários fica intrigado porque ela não foi capaz de escolher nenhum dos batons apesar da grande variedade. Ela responde que nem todo mundo quer ser uma entre centenas de cores em uma caixa. Foi o primeiro momento que vimos Peggy se libertar da caixinha de verdade, expressando uma opinião sincera e autêntica com essa fala cheia de simbolismos, além de marcar sua guinada na série.

A partir dali ela começaria a se destacar e ganhar espaço dentro da acirrada disputa de egos do mundo da criação, mesmo que a passos lentos. Ademais, Peggy também nos ensinou que apesar de um caminho difícil e tortuoso, é possível não atender as expectativas da sociedade e viver à sua maneira. Quando optou por se dedicar ao seu trabalho e colocar a carreira a frente dos relacionamentos.

Valorize seu trabalho

Outra importante lição dada por Peggy ao longo da série é a de que não há nada errado em valorizar o seu trabalho e exigir reconhecimento por ele. Quando começou, ainda completamente insegura em diversos aspectos da sua vida, ela foi colocada em uma posição muito inferior aos seus colegas de trabalho.  Porém foi percebendo sua importância para aquela agência cercada de ególatras e o quão competente era. A partir daí, completamente consciente de sua posição, passou a reivindicar por melhores condições de trabalho, demandando que a colocassem em uma sala melhor ou que dessem um aumento condizente com sua função. E foi alcançando o respeito e conquistando melhores posições na carreira.

Gingado é tudo

Por último, e não menos importante, saiba gingar. Afinal, nada mais relaxante que colocar o molejo pra jogo depois de um dia difícil no trabalho.