A série adolescente pós-apocalíptica da CW, The 100 é um daqueles shows que você não dá nem um centavo quando vê as chamadas. Confesso que levei muito tempo para colocar a série na minha grade e se não fosse pela certeza de um romance LGBTQ que abalou as estruturas da internet e ainda carrega milhões de fãs pelo mundo inteiro, eu não teria sobrevivido a primeira temporada.

Parece clichê, aquele papo de fã que tenta convencer o amigo a ver a série que ele curte dizendo que a primeira temporada não é lá grande coisa, mas depois melhora. The 100 tem uma temporada de estreia sofrível. Demora a emplacar, demora para fazer a gente se apegar aos personagens, mas cumpre o seu papel de te prender na cadeira (se você realmente for valente e sobreviver aos episódios iniciais) e te fazer voltar a ver a série na segunda temporada.

O roteiro é baseado na série de livros da autora Kass Morgan, e aborda que quando uma guerra nuclear destruiu a civilização e o planeta Terra, os únicos sobreviventes foram 400 pessoas que estavam em 12 estações espaciais em órbita. 97 anos e três gerações depois, a população já contava com 4 mil pessoas, mas os recursos já estavam escassos. Para garantir o futuro, um grupo de 100 jovens “delinquentes” é enviado à superfície da Terra para descobrir se ela está habitável. Com a sobrevivência da raça humana em suas mãos, estes jovens precisam superar suas diferenças e unir forças para cruzar juntos o seu caminho. Mais clichê impossível, porém, mesmo não mantendo as temporadas constantes, a série vai estrear em abril a sua aguardada 5ª temporada.

No entanto, o show foge dos padrões CW em muitos aspectos e abordas temas sociais de uma forma bem natural. A cor da pele de nenhum personagem influência na sua importância dentro da série, e por mais que algumas pessoas possam discordar, também não determinam se eles morrem mais cedo ou de forma mais violenta. Outro ponto de destaque para o show são as mulheres.

A protagonista, a principal mesmo, a fodona máster que comeu o pão que o diabo amassou e um pouco mais nesses 4 anos de série é bissexual assumida e a líder do povo da Arca, mesmo quando ela não quer ser essa figura de poder. Raven Reyes é a engenheira mecânica e ela é muito, muito, muito boa nisso. Octavia Blake deixou de ser uma menina que dependia do irmão mais velho para sobreviver, para se tornar uma guerreira. Além das três mulheres protagonistas, outras tantas passam pelo show em papéis variados, mas sempre representando a força das mulheres.

Vamos conhecer um pouco mais sobre as personagens citadas acima, e mais duas que eu amo muito. O texto contém spoilers, leia por sua conta em risco!

1 – Clarke Griffin, interpretada por Eliza Taylor.

As características físicas da Clarke até remetem ao clássico padrão CW no início: Loira de olhos azuis, mas para por aí mesmo. O físico da atriz é bem normal, nada daquelas personagens magras cheias de músculos que ficam usando roupas justas para destacar pontos específicos.

Clarke estava presa por tentar ajudar o seu pai a revelar para todos que viviam na Arca que eles estavam ficando sem suprimentos e sem chances de continuar vivendo lá. O pai morreu e ela acabou caindo na Terra. A saga da “mocinha” aqui é tão cheia de altos e baixos que daria uns dois textos só contando tudo o que ela já passou por essas 4 temporadas. Porém, vale destacar que mesmo sendo chamada de “princesa” por alguns dos outros jovens, Clarke foge muito desse estereótipo: ela é corajosa, centrada, gentil, se torna a líder mesmo não querendo a função e assume riscos e consequências para manter todo o seu povo vivo.

Um dos arcos de maior destaque na história da loira foi o seu envolvimento romântico com a Comandante Lexa durante a segunda e a terceira temporada. Quando se revelou que a protagonista era bissexual, o casal acabou trazendo uma leva de fãs da comunidade LGBTQ para a série, contudo a conclusão dessa história foi um banho de água fria em quem acompanhava o show e no produtor Jason Rothenberg que teve suas redes sociais tomadas por inconsoláveis fãs do mundo inteiro. Spoiler: Lexa morreu no sétimo episódio da terceira temporada, vítima de uma “bala perdida” logo após ter tido a primeira vez com Clarke. Foi no mínimo grotesca a forma com que finalizaram esse arco, que até hoje é sempre motivo de reclamação para os fãs do casal.

Mesmo com uma queda de audiência após esse fato e pedidos de cancelamento da série, a saga de Clarke continuou e ela segue sendo um exemplo de girl power dentro de The 100 e fora também, afinal a “mocinha” erra e acerta, como todas nós, e é muito difícil passar por todas as temporadas e em nenhum momento não se identificar com ela.

2 – Raven Reyes, interpretada por Lindsey Morgan

A engenheira mecânica mais amada da terra pós-apocalíptica entra no quesito físico nos padrões CW: a atriz é possui um corpo magro e sensual em que muitas vezes é mostrado sem necessidade nenhuma na tela. Mesmo assim, Raven se sobressai em outros aspectos: ela é muito inteligente.

Sua chegada na Terra foi em uma nave que ela mesma restaurou e desde que se encontrou com o grupo dos 100, sua presença é fundamental para a sobrevivência de todos no planeta. De acordo com Jason, a personagem deveria sair da série no final da primeira temporada, mas graças as Deusas de todos os universos, a atriz foi promovida ao elenco principal e hoje pode ser sim, considerada uma das protagonistas da série.

Afinal, como Clarke, Raven também já teve uma boa cota de sofrimento (como quase todo personagem em The 100 na bem da verdade) e se ela chegou até aqui, nada mais justo que chegue viva, firme e forte até o episódio final.

3 – Octavia Blake, interpretada por Marie Avgeropoulos

Octavia iniciou a série sendo mais uma daquelas personagens que você espera que morra na próxima cena. Ela era chata, a clássica irmã caçula bonitinha do protagonista masculino que você não vê a hora de sumir da história, mas que fica presa ali por ser justamente a irmã do protagonista.

Porém, a personagem vai crescendo tremendamente no decorrer da temporada inicial e nas temporadas seguintes, que você esquece todo esse princípio medíocre que ela teve. Octavia é uma guerreira. Ela se adapta ao mundo dos grounders (como são chamados os sobreviventes da guerra nuclear que ficaram na Terra), cresce como mulher e passa de ser a irmã do protagonista, para virar uma das protagonistas.

4 – Abby Griffin, interpretada por Paige Turco

A mãe da protagonista figura na lista das mais fodonas de The 100 porque a principal tinha que aprender com alguém a ser assim foda! Abby é médica e por muito tempo foi a chefe da ala médica da Arca, além de membro do conselho da estação. Por um tempo ela também foi chanceler na Terra e fez o melhor com o que tinha para manter todos vivos e salvos (lembra alguém?).

Assim como as demais mulheres do show, Abby vai ganhando mais importância na trama e passa a ser vista não só como uma figura médica que está ali para salvar quem levar um tiro, como também uma líder entre o seu povo, da mesma forma que Clarke é. Mãe e filha, em muitos pontos têm opiniões distintas sobre as situações, seguem sendo exemplo para mulheres em todo o planeta.

5 – Lexa, interpretada por Alycia Debnam-Carey

Um minuto de silêncio antes de começar a falar de Lexa.

A comandante dos grounders apareceu só na segunda temporada, mas precisou de apenas alguns segundos em tela para mostrar que não estava para brincadeiras. No começo até dá para dizer que Lexa está mais para vilã que para mocinha, porém no decorrer dos episódios vamos conhecendo mais sobre a comandante e passamos a admirá-la e amá-la.

Primeiro, que mesmo sendo muito nova, Lexa é responsável por todos os 12 clãs dos grounders. E não estamos falando só de 100 pessoas não. Tem muito mais gente que isso e está todo mundo sobre o seu comando e proteção. Em segundo, ela também foi a primeira comandante a unificar todos os clãs dos grounders, que viviam em guerra dia sim e outro também. Ela foi a primeira comandante a conseguir esse feito, nenhum dos seus antecessores o fez! Terceiro, ela é inteligente, é fria e calculista em uma guerra, mas sabe ter compaixão pelo seu povo e é uma excelente guerreira. Muito boa mesmo, afinal para assumir o lugar de comandante, Lexa teve que lutar até a morte com seus concorrentes de cargo.

Único defeito: Não ser a prova de balas!

Brincadeiras (sofrência) a parte, a personagem dividiu com Clarke as atenções do público LGBTQ ao iniciar um romance com a protagonista. Ok, não foi bem um sentimento recíproco logo de cara, e Lexa também cometeu o seu deslize no final da segunda temporada, porém, ela se recuperou na terceira e quando tudo parecia que ia seguir firme e forte, veio aquela bala perdida e acabou com Lexa e os nossos sonhos juntos. A morte da personagem foi a escolha do produtor, pois a atriz iria integrar o elenco principal de outra série e não teria como conciliar as gravações com The 100. Matar a Lexa já iria ser duro, mas doeu mesmo a forma torpe como ela morreu. Aquela bala perdida é imperdoável, e nem aquela participação no final da terceira temporada aplacou a dor dos fãs da personagem e do casal. Lexa faz falta na série até hoje.

É isso amadas, essas são algumas das mulheres badass da série. Mesmo tendo deslizes de roteiro, o show é um, senão o mais, girl power da CW que está no ar atualmente. Vale a pena conferir, e você pode começar a maratona hoje mesmo, pois as 3 primeiras temporadas já estão disponíveis na Netflix, e muito provavelmente a quarta temporada deve entrar no catálogo em breve.